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Zona rural de São Luís está sem ônibus há 30 dias e moradores denunciam abandono

Moradores da zona rural de São Luis, há 30 dias sem ônibus, enfrentam custos altos e riscos para deslocamento na região.

Há cerca de um mês, moradores das comunidades de Taim, Porto Grande e Cajueiro, na zona rural de São Luís, enfrentam a suspensão total do transporte coletivo. São mais de 2.500 famílias atingidas pela interrupção do serviço prestado por uma empresa privada. A paralização tem afetado diretamente a rotina de quem depende do ônibus para trabalhar, estudar e acessar serviços básicos.

Sem o transporte público, moradores relatam dificuldades para chegar ao trabalho, manter atendimentos de saúde e garantir a frequência escolar das crianças. O custo com alternativas improvisadas, como vans, aplicativos e mototáxis, pesa no orçamento de famílias que, em sua maioria, vivem com até um salário mínimo.

Moradora do Taim, Ana Paula Moraes afirma que o valor cobrado por mototáxis — em média R$ 25 por trajeto — torna a locomoção inviável para quem precisa se deslocar diariamente. “Esse dinheiro muitas vezes sai da alimentação ou da compra de remédios. É o direito de ir e vir sendo negado”, diz.

Além da dificuldade de custear as alternativas, a moradora descreve outras pseudosoluções em um cenário de improviso e risco. Segundo ela, uma van passou a atender parcialmente as comunidades, mas não consegue suprir a demanda. “Tem gente andando até sete quilômetros para conseguir outro transporte. Mulheres, idosos, gestantes e crianças ficam vulneráveis todos os dias”, relata.

Em Porto Grande, o impacto também atinge diretamente crianças e pessoas com deficiência. O morador Cosmo Pereira chama atenção para a interrupção de tratamentos de saúde. “Crianças estão perdendo fisioterapia, consultas e medicações. Quem depende do SUS sabe o quanto é difícil conseguir esses atendimentos”, afirma.

A situação foi tema no programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor, onde moradores da região apresentaram a denuncia.

[Veja a entrevista completa com Ana Paula Moraes e Cosmo Pereira, sobre as denuncias ao final desta matéria.]

Cosmo destaca ainda que a ausência de ônibus agrava um quadro histórico de negligência com a zona rural. “A ambulância muitas vezes não chega. A comunidade se une, coloca combustível em carros particulares para levar doentes aos hospitais. Isso não é exceção, é rotina”, denuncia.

Segundo ele, a empresa responsável pelo transporte já havia comunicado a suspensão do serviço meses antes e o problema foi discutido em reuniões com o Ministério Público. Ainda assim, o serviço foi interrompido integralmente. “Não é a primeira vez. Ao longo de 2025, os ônibus já foram suspensos outras vezes”, lembra.

Há também uma decisão judicial determinando o retorno das linhas em até cinco dias úteis, prazo que se encerra nesta semana. Enquanto isso, moradores seguem aguardando uma resposta concreta do poder público e da empresa. “São mais de 2.500 famílias atingidas. É inadmissível esse nível de descaso”, afirma Cosmo.

Para Ana Paula, a situação reforça o sentimento de isolamento da zona rural. “Tudo chega por último: iluminação, serviços, agora o transporte. Parece que não somos vistos como cidadãos que pagam impostos e têm direitos”, critica.

O outro lado

Agência Tambor entrou em contato com a Prefeitura de São Luis e a empresa de ônibus Estrela Azul, responsável pelo transporte da região, buscando uma posição sobre as denuncias e a solução do cenário. Até o momento, não tivemos retorno, assim que recebermos uma resposta, atualizaremos a matéria.

[Veja a entrevista completa sobre as denuncias e a situação enfrentada com paralisação do transporte com Ana Paula Moraes e Cosmo Pereira, moradores da região rural de São Luís.]

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