A jornada envolve mestres, artistas populares, quilombolas, quebradeiras de coco, professores, estudantes e agentes culturais em busca de solução criativa. (Imagem: Comitê de Cultura MA) A cultura maranhense ganha um espaço dedicado ao diálogo entre tradição e inovação: a Jornada de Ideação, uma construção colaborativa que envolve mestres, artistas populares, quilombolas, quebradeiras de coco, professores, estudantes e agentes culturais na busca por caminhos criativos para desafios reais do setor. O encontro integra um conjunto de ações promovidas pelo Comitê de Cultura do Maranhão em parceria com a Agência Marandu, da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).
O encontro aconteceu na quinta (11) e se estende até hoje sexta-feira (12), como um espaço colaborativo dedicado a pensar o futuro das tradições do estado.
Em entrevista ao programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor, a jornalista Yndara Vasques Lima, coordenadora de Comunicação do Comitê, explicou que o projeto se estrutura para garantir que as políticas públicas cheguem a quem produz cultura nos territórios. “Encontramos muita força cultural nos municípios, mas também dificuldades históricas de acesso, continuidade e valorização. Nosso papel é abrir caminhos e garantir que essas expressões não se percam”, afirmou.
O comitê atua em 22 municípios maranhenses e oferece formações, orientação para projetos e atividades que facilitam a inscrição de fazedores de cultura em editais estaduais e federais. Para Yndara, isso significa democratizar o acesso e tornar o processo menos burocrático. “Um mestre de tambor de crioula, uma quebradeira de coco ou um artesão precisam ter instrumentos simples e acessíveis para registrar seu trabalho e acessar políticas de fomento”, disse.
Para o professor Roberto Serra, diretor da Agência Marandu, que também participou do bate-papo, a Jornada representa uma aproximação necessária entre universidade e comunidade. Ele explicou que a agência trabalha com inovação em diversas áreas, incluindo a cultural. “Inovação não nasce apenas da tecnologia. Ela surge quando um conhecimento novo, socialmente útil, encontra quem precisa dele. E isso vale para a cultura tanto quanto para a indústria”, ressaltou.
[Assista a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]
Roberto destacou que a metodologia usada — baseada no design thinking — ajuda os participantes a identificar problemas estruturais, entender suas causas e construir soluções coletivas. “A mudança precisa vir de cada pessoa envolvida. O processo começa no olhar de quem vive o território e sabe onde estão as dores e os caminhos possíveis”, afirmou.
A sede da Agência Marandu, no Largo do Carmo, tornou-se o ambiente onde essa reflexão se materializa. Lá, os participantes desenvolvem diagnósticos, mapeiam desafios e prototipam ideias voltadas à sustentabilidade, organização, qualificação e preservação das expressões culturais do estado. O objetivo é que os grupos finalizem a jornada com propostas palpáveis para aplicação real.
Yndara reforçou que a iniciativa pretende fortalecer redes e promover continuidade, especialmente em um cenário onde a cultura compete diariamente por atenção, recursos e visibilidade. “A cultura do Maranhão é viva e potente. Mas, para se manter forte ao longo do ano, precisa de mais acesso, mais qualificação e mais oportunidades de circulação”, afirmou.
Roberto acrescentou que o conteúdo produzido durante a jornada poderá ser disponibilizado posteriormente para consulta de coletivos e comunidades culturais. Ele também destacou que a Agência Marandu é um equipamento público aberto a quem deseja construir soluções de forma colaborativa. “Queremos que todos saibam que este espaço é da sociedade maranhense. A inovação é para todos, e a cultura também faz parte desse movimento”, completou.
Veja a entrevista completa com Roberto Serra e Yndara Vasques Lima, no programa Dedo de Prosa.