Os criminosos da desinformação: a imagem mostra o plenário do STF completamente destruído após a invasão de 8 de janeiro. (Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF) O Brasil sofre hoje com uma comunicação sob a hegemonia da internet, que, lamentavelmente, ainda não têm a devida regulação no país. Nesse ambiente hiperconectado, vivemos em uma sociedade permanentemente submetida a uma avalanche de desinformação e violência.
Precisamos de jornalismo. A bem da verdade, precisamos de Jornalismos verdadeiramente comprometidos com o interesse público, entendidos como uma atividade radicalmente vinculada aos princípios democráticos.
No contexto maranhense — onde atua a nossa Agência Tambor —, é importante que a sociedade possa contar com jornalismos capazes de enfrentar o silêncio imposto pelo suborno das oligarquias e de subverter todo um agendamento conservador mantido por gângsteres.
Sobre isso, um fato precisa ser registrado: parte significativa da agenda pública do Maranhão é controlada por máfias, por gente milionária que também atua na comunicação. Sim, nosso Estado é o berço do chamado Centrão, com tudo o que ele tem de ruim…
Aqui, na terra de Maria Aragão, João Lisboa, Maria Firmina dos Reis, João do Vale e Neiva Moreira, é necessário um jornalismo que tenha atenção redobrada aos direitos humanos, à classe trabalhadora, à justiça social e climática e à valorização honesta da nossa cultura.

Comunicação e Polícia Federal
Em novembro de 2025, a segurança institucional do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, informou que estaria ocorrendo um monitoramento ilegal dos seus deslocamentos na cidade de São Luís do Maranhão.
No mesmo período em que a segurança do ministro maranhense deu essa informação, em 26 de novembro de 2025, imagens do carro oficial utilizado pelo ministro foram divulgadas pelo blog de Luís Pablo, que atua a partir da mesma capital maranhense.
O trabalho de Pablo tratou de uma agenda em que o ministro do STF estava acompanhado de sua família.
Diante da denúncia de monitoramento ilegal de Flávio Dino em São Luís, o blogueiro Luís Pablo passou a ser investigado pela Polícia Federal. A postagem em seu blog, com as imagens do ministro do STF e de sua família, acendeu mais um sinal de alerta.
Este caso de São Luís está dentro de um contexto bem maior, de sucessivos ataques ao Supremo, a partir de uma conhecida ação de extremistas de direita.

Vou encher de tiro
A partir de 8 de janeiro de 2023, quando o mundo inteiro viu a invasão e a destruição do prédio do STF, a Polícia Federal iniciou investigações sobre vários outros casos, com mais de cem episódios de ameaças a ministros do STF, nos quais foi identificado “risco real ou potencial”. Alguns dos envolvidos foram indiciados e presos.
Em 31 de janeiro de 2023, por exemplo, um homem ateou fogo a si próprio enquanto gritava: “Morte ao Xandão”. Tratava-se de um paulista, um militar da reserva.
Dias antes da posse de Flávio Dino no STF, em fevereiro de 2024, um homem identificado como Alessandro Oliveira, de 56 anos, foi preso depois de publicar um vídeo em que declarou que poderia encher o jurista maranhense de tiro.
O ambiente é tenso. É nesse contexto que a divulgação de imagens do carro oficial e de uma agenda familiar do ministro em um blog de São Luís virou caso de polícia.
Qual o objetivo?
Em março deste ano, Luís Pablo foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal. Na ocasião, foram apreendidos o celular e o computador dele. Esses equipamentos teriam permitido reunir indícios contra o policial aposentado Raimundo Cutrim, ex-deputado estadual e ex-secretário de Segurança do Maranhão.
Raimundo Cutrim seria a fonte do blogueiro na obtenção das imagens de Flávio Dino e o responsável pelo monitoramento indevido. Atualmente, ele está em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica. Por que o ex-policial teria monitorado o ministro?

Já Luís Pablo, desde o início do inquérito foi logo apontado por alguns, dentro e fora do Maranhão, como uma vítima. Neste ponto, é preciso muita calma. De imediato, informamos que a Agência Tambor não engrossa esse coro.
Antes, porém, de qualquer afirmação definitiva sobre o blogueiro, é necessário aguardar a conclusão do inquérito no qual ele é investigado.
Em relação aos ministros do STF, especialmente no ambiente vivido hoje no país, é bastante razoável que o Estado garanta a segurança e o transporte desses agentes públicos e de suas famílias.
O que não faz sentido é o jornalismo vinculado ao interesse público expor um ministro já ameaçado, sua esposa e seus filhos menores de idade. Faz sentido? Com qual objetivo? Onde está o fato de interesse público? E a ética profissional?
Em nome da verdade
Ao tratar deste caso, muito se falou sobre o sigilo da fonte para jornalistas. Neste ponto, mais uma vez precisamos enfatizar: o sigilo da fonte é muito necessário e, acertadamente, é garantido pela Constituição Federal. Mas, assim como a liberdade de expressão, ele não pode ser tratado como um instrumento ilimitado, de vale-tudo.

Falando em tese, se o processo de divulgação de uma “notícia” fizer parte de uma ação criminosa ou estiver integrado a uma sequência de atos ilícitos, a condição de fonte ou jornalista não pode servir como salvo-conduto. O sigilo da fonte existe para proteger o exercício do Jornalismo, não para facilitar a atuação de eventuais comparsas.
Mas, neste caso maranhense, é preciso aguardar a conclusão dos inquéritos aos quais ele se conecta e todos os seus desdobramentos. As investigações em curso fazem parte do jogo democrático. No entanto, mesmo necessárias, elas não podem ser tratadas como condenação antecipada.
Para fechar, lembrando o ditado popular, debaixo deste angu podem aparecer muitos outros caroços que não foram citados neste pequeno editorial. Por isso mesmo, o caso vem provocando reações exacerbadas…
O Jornalismo que nossa sociedade precisa deve tratar este caso com sobriedade, em busca da verdade, a partir dos fatos, combatendo a desinformação e mostrando, na prática, a razão de ser da nossa atividade.