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Cresce o número de trabalhadores com carteira assinada e avança a filiação sindical

Movimento sindical ganhou força no Brasil. Aumentou o número de filiados nos sindicatos (Imagem: acervo rede)

O Brasil atingiu um recorde histórico em 2025: o número de trabalhadores com carteira assinada cresceu de forma significativa.

Dados do Ministério do Trabalho e do Emprego indicam que o país chegou a 48,99 milhões de vínculos formais ativos até outubro, com a criação de mais de 1,8 milhão de novos postos de trabalho apenas nos dez primeiros meses do ano.

Mais de 48 milhões de carteiras assinadas no Brasil, em 2025: um recorde histórico. (imagem: acervo rede)

São vagas criadas e preenchidas, o que confirma a demanda da população por emprego formal.

Esse cenário permite uma conclusão clara: o trabalhador brasileiro quer emprego com direitos.

O discurso segundo a qual a população teria abandonado a luta coletiva e passado a enxergar a informalidade ou o chamado “empreendedorismo” como escolha definitiva não se sustenta diante dos dados.

Força coletiva

Outro fato muito relevante, relacionado a classe trabalhadora, ocorreu já no ano passado

Em 2024, o Brasil registrou crescimento no número de trabalhadores sindicalizados. .

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, dos 101,3 milhões de pessoas ocupadas, cerca de 9% — o equivalente a 9,1 milhões — eram associadas a sindicatos.

O total representa um aumento de 9,8% em relação a 2023, quando pouco mais de 8 milhões de trabalhadores estavam sindicalizados.

Ou seja, o brasileiro não apenas busca emprego, como segue reconhecendo a importância da organização coletiva como instrumento de defesa de direitos e melhoria das condições de trabalho.

Resultados de 2025 – o que o trabalhador espera

Esse entendimento é reforçado pela pesquisa O Trabalho e o Brasil, realizada pelo instituto Vox Populi em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Entre trabalhadores autônomos ou empreendedores que já tiveram carteira assinada, 56% afirmam que querem voltar ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com acesso a direitos trabalhistas e previdenciários.

O dado desmonta a ideia de que a informalidade seria uma escolha desejada ou definitiva.

Apesar do avanço dos vínculos formais, o crescimento do mercado de trabalho ocorre de forma desigual. Os dados mostram a expansão simultânea do trabalho por conta própria e de formas individualizadas de ocupação, especialmente nos setores de comércio e serviços.

O resultado é um quadro contraditório: mais pessoas trabalhando, mas muitas delas em relações instáveis, fragmentadas e sem proteção social adequada.

Informalidade não é escolha

A pesquisa do Vox Populi, realizada entre maio e junho deste ano com 3.850 entrevistados em todo o país, aponta que o avanço da informalidade está diretamente ligado à precarização do emprego formal.

Mais da metade dos entrevistados avalia que o mercado oferece poucas oportunidades de trabalho, citando salários baixos, exigências excessivas e falta de valorização profissional como principais obstáculos para conseguir um bom emprego.

Para o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, veio a público e deixou claro que os resultados desmontam a tese de afastamento da classe trabalhadora da organização coletiva.

“Sem sindicato forte, direitos não se sustentam. Essa pesquisa mostra que o trabalhador continua apostando na luta coletiva como instrumento de defesa e conquista”, afirma
Sérgio Nobre.

Segundo ele, a informalidade não representa liberdade ou autonomia real. “As pessoas são empurradas para o trabalho sem direitos porque o emprego formal não paga a conta. Isso não é opção voluntária, é necessidade. E os efeitos disso recaem sobre toda a sociedade, inclusive sobre a previdência e o financiamento do Estado”, destaca o presidente da CUT.

O levantamento também revela que cerca de 80% dos entrevistados defendem a redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1.

Tanto interesse leva a crer que o tema deve voltar ao centro do debate político nos próximos anos.

Desafios

Apesar do reconhecimento da importância dos sindicatos, a pesquisa aponta desafios importantes.

Mais da metade dos entrevistados afirma não conhecer claramente a atuação da entidade que os representa, o que indica a necessidade de maior presença nos locais de trabalho, comunicação mais acessível e aproximação com a base.

A luta coletiva segue no centro

Os dados nacionais e a realidade maranhense apontam para a mesma direção: o desejo por direitos, estabilidade e proteção social segue presente entre os trabalhadores brasileiros.

Em um cenário de precarização crescente, a organização coletiva continua sendo vista como instrumento fundamental para enfrentar desigualdades, melhorar salários e disputar melhores condições de vida.

Ao contrário do que prega o discurso neoliberal, a classe trabalhadora não deixou de existir — e tampouco abriu mão da luta. No Maranhão e em todo o país, os sindicatos seguem sendo parte central dessa disputa.

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