
Mães e pais de alunos de comunidades da Ilha de Tauá-Mirim clamam ao prefeito de São Luís, Eduardo Braide, por respeito e dignidade. São quase trinta dias em que os estudantes arriscam suas vidas em uma pequena canoa, sem colete salva vidas, para estudar em escolas localizadas nos bairros da Estiva e Pedrinhas, na zona rural de São Luís.
A lancha escolar que fazia a travessia dos estudantes foi recolhida para um reparo e nunca mais voltou. “Cadê o prefeito que se diz ‘amigos das crianças?”, indaga a presidente da Associação de Moradores em Potinho, Manoela Oliveira, que cobra transporte e ensino de qualidade.
A líder comunitária disse ainda que a Prefeitura de São Luís alegou que a administração municipal não encontrou uma outra lancha para comprar e substituir a embarcação ‘encostada’.
“Será que nesse país as fábricas de lanchas sumiram?”, questionou Manoela Oliveira ao dizer indignada que “as crianças estão sendo muito prejudicadas, precisam estudar e estão tendo o seu direito violado”.
Manoela narrou ainda que todos os dias ‘fica com o coração na mão’. “Tenho dois filhos. Eles precisam estudar. Hoje em dia, quem não estuda não é ninguém. A gente pede proteção pra Deus e manda eles para escolas”, afirmou ao contar o drama da travessia em um transporte inadequado e arriscado.
A líder comunitária também denuncia que a Unidade de Ensino Básico Beija-Flor, que funciona pela manhã com jardim e creche, e a Escola Nossa Senhora das Mercês, que funciona à tarde com ensino de 1ª a 4ª séries, estão sem funcionar. As escolas ficam localizadas na comunidade de Jacamin, na Ilha de Tauá-Mirim.
“Os professores não querem arriscar suas vidas nessa travessia. A Secretaria de Educação de São Luís não autorizou o traslado dos professores em canoas e sim de lancha, que tá parada. Esses alunos estão sem estudar. Tem aluno que ainda nem iniciou o período letivo por falta de professor como a turma da creche”, finalizou Manoela.