
O general Leônidas Pires Gonçalves foi Ministro do Exército no governo de José Sarney, entre 1985 e 1990.
Antes disso, entre 1974 e 1977, Leônidas dirigiu o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), no Rio de Janeiro.
Foram agentes desse mesmo DOI-CODI do Rio de Janeiro que, em 1971, sequestraram, torturaram, mataram e deram sumiço ao corpo do engenheiro civil Rubens Paiva, cujo drama foi exposto no filme Ainda Estou Aqui, recentemente premiado no Oscar.
Como é de conhecimento público, o caso relembrado agora na obra de Walter Salles é apenas um entre vários outros, havendo milhares de vítimas da ditadura implantada no Brasil, em 1964.

Em meio a uma avalanche de atrocidades e covardias, o DOI-CODI funcionou como uma central de crimes praticados contra pessoas que faziam algum tipo de oposição à ditadura.
O ex-ministro do governo de José Sarney, general Leônidas Pires Gonçalves, foi um dos 377 citados no relatório da Comissão Nacional da Verdade, divulgado em dezembro de 2014. Ele foi apontado como um dos agentes do Estado que, durante a ditadura, estiveram entre os responsáveis pela prática de torturas e assassinatos.
Leônidas Pires Gonçalves faleceu em 2015. José Sarney foi ao velório e se manifestou na imprensa, dizendo que “o general foi seu grande amigo”.
Uma turma só
Ocupando o cargo de Ministro do Exército no governo de José Sarney, em 1985, o general Leônidas divulgou uma nota pública em defesa de Carlos Alberto Brilhante Ustra.
Coronel do Exército, Ustra atuou no DOI-CODI de São Paulo e, a partir de 1985, passou a ocupar cargo no governo de José Sarney, inicialmente como adido militar na embaixada do Uruguai. Lá, foi reconhecido e denunciado como torturador.
Após a denúncia, Ustra foi defendido publicamente pelo Ministro do governo Sarney, retirado do Uruguai e, em seguida, lotado no Estado-Maior das Forças Armadas, em Brasília.

Bem depois, já nos anos 2010, o mesmo Ustra foi, enfim, condenado por seus crimes cometidos no DOI-CODI, incluindo sequestro e tortura.
Entre as vítimas de Ustra estavam crianças e mulheres grávidas, pertencentes a famílias perseguidas pelo regime ditatorial, assim como a de Rubens Paiva.
A grande dívida histórica do Brasil é que os crimes iam muito, muito, muito além de Ustra, até hoje o único condenado do antigo regime.
Os sequestros, as torturas e os assassinatos (execuções) foram institucionalizados pela ditadura como um todo. Tanto civis quanto militares eram cúmplices e avalistas das barbaridades que ocorriam, já denunciadas na época pelos jornais alternativos que enfrentavam a censura.
“Um democrata” sem voto
Há quarenta anos, no dia 15 de março de 1985, José Sarney assumiu a Presidência da República do Brasil.
O que deveria ser a “redemocratização” do país, com a volta de um civil à presidência, abrigou uma horda de criminosos, pois o governo foi conduzido por pessoas que fizeram parte da mesma ditadura militar, os cúmplices.
Sarney se aliou ao golpe de 1964 desde o primeiro momento, tornando-se um agente do regime. Em 1965, ele só foi governador do Maranhão graças ao apoio que recebeu dos militares.
Anos depois, no final da década de 1970, Sarney era senador e assumiu a presidência nacional da ARENA, o partido criado pela ditadura para dar sustentação ao regime.
Quanto ao cargo de Presidente da República, Sarney chegou lá porque não houve eleição, a sociedade não participou da escolha e Tancredo Neves, presidente definido pelos parlamentares, adoeceu e morreu sem assumir a Presidência.
Assim, a vaga de vice-presidente que Sarney conseguiu na chapa de Tancredo, o conduziu ou, na verdade, o empurrou ao Palácio do Planalto, mantendo-o por cinco anos na Presidência da República.
Durante a ditadura militar, os presidentes eram “eleitos” no Congresso Nacional, que, na verdade, apenas confirmava o nome do general definido pelos militares.
No início da década de 1980, a impopularidade dos militares no Brasil era imensa, abrindo a possibilidade de retorno dos civis ao poder.

A sociedade queria a volta das eleições diretas para presidente e houve uma enorme campanha popular pelo direito ao voto.
Mas a eleição presidencial foi barrada pela ditadura e seus aliados no Congresso Nacional, entre eles o senador José Sarney.
O primeiro a nível de estado á aderir ao golpe de 1964, governou o Maranhão e o Brasil com apoio irrestrito dos militares reproduzindo as práticas no MA e ocutando as no gov..Federal. (grande Democrata)!
Essa cerimônia deve ter sido encomendada….
a pior oligarquia do brasil, sempre esteve com os dentes fincados na garganta do meu sofrido povo