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No Maranhão da grilagem de terras: Quilombolas ocupam INCRA e cobram governo Lula

INCRA fez acordo com Movimento Quilombola do Maranhão em torno de uma força tarefa

O INCRA organizará, a partir de agora, uma força-tarefa em defesa dos direitos territoriais dos quilombolas no Maranhão? A palavra empenhada será cumprida? O acordo com o MOQUIBOM será honrado?

Essas questões surgem após a ocupação da sede do INCRA em São Luís, ocorrida de 21 a 25 de outubro. A ação foi organizada pelo Movimento Quilombola do Maranhão (MOQUIBOM), com o apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e de outras organizações, como a Comissão para Ação Sociotransformadora da CNBB.

Ao final da ocupação, foi firmado um acordo após longas reuniões com Mônica Borges, diretora de Territórios Quilombolas do INCRA, e José Carlos Nunes, superintendente do INCRA no Maranhão.

José Carlos (no centro da foto) e Mônica Borges assumiram compromisso em nome do governo Lula

Cobrança enfática

“Fomos nós que colocamos vocês no poder! O INCRA e o governo Lula têm a obrigação moral e constitucional de garantir os direitos do povo quilombola do Maranhão! Falam o tempo todo em dívida histórica! Quando vão pagar essa dívida? Depois que a gente morrer? O agronegócio quer nos matar!”

Movimento Quilombola fez cobranças enfáticas. “Fomos nós que colocamos vocês no poder!”

Essas foram as palavras de diversas lideranças do MOQUIBOM durante uma reunião com Mônica Borges e José Carlos Nunes, que contou também com a presença de uma representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), além do Ministério Público Federal.

O MOQUIBOM mobilizou para a ocupação lideranças de 42 territórios, trazendo à tona uma pauta que vem sendo defendida desde 2011. “Chega de embromação” foi a palavra de ordem.

O encontro com dirigentes do INCRA se estendeu por dois dias e resultou no compromisso do órgão de montar a força-tarefa para cumprir uma agenda de trabalho que garanta, desde já, o registro coletivo de terras de comunidades quilombolas.

Leia também: Cobrando Carlos Brandão! Trabalhadores rurais fecham estradas do Maranhão “exigindo o fim da Lei da Grilagem”

As máfias

No Maranhão, historicamente, o poder político tem estado concentrado nas mãos dos latifundiários, de máfias da terra, grileiros que se valem de pistoleiros e fraudes cartoriais.

Essas oligarquias, atuando por dentro das instituições públicas, invadem terras e massacram comunidades rurais, incluindo territórios quilombolas, em um cenário que se perpetua há décadas.

A situação piorou recentemente. Em dezembro de 2023, a Assembleia Legislativa do Maranhão aprovou uma lei estadual, sancionada no mesmo dia pelo governador Carlos Brandão, que facilita a grilagem de terras no estado.

A chamada “Lei da Grilagem” favorece o agronegócio e o latifúndio, em detrimento dos interesses das comunidades rurais. Antes mesmo dessa legislação anti-povo, o Maranhão foi o estado brasileiro mais desmatado ao longo do ano de 2023.

É nesse contexto que Lula e seu governo estão sendo cobrados a agir em favor do povo quilombola do Maranhão.

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