Paralisação segue na Caixa e no Banco da Amazônia; SEEB-MA denuncia retenção da PLR de trabalhadores do Banco do Brasil que permaneceram em greve. (Imagem: Seeb-MA)
A greve dos bancários entrou em uma nova etapa no Maranhão. Depois de alcançar bancos privados e públicos desde 8 de setembro, a paralisação permanece entre trabalhadores da Caixa Econômica Federal e do Banco da Amazônia (BASA). Por trás dos impasses específicos das duas instituições, o Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA) aponta problemas que ultrapassam a discussão salarial e trazem para a pauta de discussão o adoecimento, a pressão por metas, a redução de postos de trabalho e o fechamento de agências.
A campanha salarial começou com reivindicações relacionadas a salários, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), saúde, emprego e condições de trabalho. Bancos privados, Banco do Nordeste e Banco do Brasil encerraram posteriormente suas negociações e a greve nessas instituições chegou ao fim. Caixa e BASA, no entanto, continuaram mobilizados, com novas negociações convocadas durante esta semana.
Adoecimento está no centro da campanha
A saúde dos trabalhadores aparece como uma das principais preocupações do sindicato. Segundo Rodolfo Cutrim, coordenador-geral do SEEB-MA, em entrevista ao programa Dedo de Prosa, a categoria enfrenta uma situação de adoecimento relacionada principalmente à cobrança por metas e a práticas consideradas assediadoras nos ambientes de trabalho. O dirigente afirma que os bancários representam uma parcela pequena dos trabalhadores com carteira assinada, mas têm participação muito maior nos afastamentos relacionados à saúde mental, dado que atribui ao INSS.
[Veja entrevista na íntegra ao final desta matéria.]
“Não conseguimos arrancar da Fenaban uma política real que consiga dialogar com a prática assediosa no ambiente de trabalho”, afirmou em entrevista ao programa Dedo de Prosa. Para o dirigente, mecanismos de denúncia são insuficientes se não vierem acompanhados de medidas capazes de prevenir o adoecimento antes que ele resulte no afastamento dos trabalhadores.
Menos trabalhadores e menos atendimento
Outro eixo da greve é a defesa dos empregos. Cutrim relaciona a redução do número de bancários ao crescimento da terceirização e de outras formas de contratação no sistema financeiro. Segundo ele, funções antes realizadas diretamente por empregados dos bancos passaram a ser desempenhadas por trabalhadores terceirizados, correspondentes bancários e outros agentes, sem o mesmo conjunto de direitos da categoria.
O sindicato afirma que essa transformação também chega aos clientes. De acordo com Cutrim, há pouco mais de cinco anos existiam pontos de atendimento bancário em mais de 190 dos 217 municípios maranhenses. Hoje, segundo ele, pouco mais de 120 municípios têm algum atendimento bancário, número que estaria diminuindo. “Estamos falando aqui numa espécie de apagão bancário para várias regiões do estado do Maranhão”, afirmou.
Sindicato denuncia retaliação no Banco do Brasil
Embora a greve no Banco do Brasil tenha sido encerrada em 11 de setembro, o banco permanece no centro de uma denúncia feita pelo SEEB-MA. Cutrim afirma que trabalhadores do Maranhão e de outras bases que mantiveram a paralisação até aquela data não receberam a PLR no mesmo momento que empregados de outras regiões. Segundo ele, o pagamento teria sido transferido para fevereiro.
“Hoje, no Maranhão, os companheiros estão sem PLR”, disse Cutrim. O sindicalista classifica a medida como uma retaliação aos trabalhadores que permaneceram mobilizados e cita situações semelhantes na Bahia, Espírito Santo, Pará, Rio Grande do Norte e outras bases sindicais. A acusação é do SEEB-MA. O Banco do Brasil não participou da entrevista, e o material analisado pela Agência Tambor não contém manifestação da instituição sobre a denúncia.
Caixa e BASA concentram os atuais impasses
Na Caixa, a principal divergência envolve o Saúde Caixa. O sindicato questiona o limite da participação da empresa no custeio do plano e defende maior responsabilidade do banco no financiamento da assistência à saúde dos empregados. Durante a greve, Cutrim afirmou ainda que o SEEB-MA obteve uma liminar após a Caixa comunicar a possibilidade de retirada de benefícios, como vale-alimentação e vale-refeição, durante a mobilização. Segundo ele, a instituição recuou depois da decisão judicial.
No Banco da Amazônia, o principal conflito está relacionado ao plano de cargos e carreiras. O sindicato afirma que a proposta apresentada pela instituição impõe perdas salariais e não responde à reivindicação de valorização profissional. Na Caixa, além do plano de saúde, também permanecem discussões sobre carreira.
Para o SEEB-MA, a greve também recoloca em discussão o papel do atendimento bancário para a população. A entidade sustenta que menos trabalhadores e menos unidades presenciais significam maior dificuldade de acesso aos serviços, especialmente em municípios do interior. Ao mesmo tempo, Cutrim avalia que a mobilização recupera um instrumento que a categoria não utilizava nacionalmente desde 2016 e pode fortalecer a organização dos trabalhadores diante das transformações ocorridas no setor bancário nos últimos anos.
[Veja entrevista de Rodolfo Cutrim, coordenador-geral do SEEB-MA, ao programa Dedo de Prosa.]