Adesão de quase 100% das agências do BB, Caixa e BASA: atos em São Luís e outros municípios marcaram a semana de greve no Maranhão. (Imagem: Seeb-MA) A greve dos bancários continua no Maranhão no Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco da Amazônia (BASA), em meio a novos impasses nas negociações e mobilizações em diferentes regiões do estado. Durante a paralisação, outro elemento ganhou peso: segundo o Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA), despacho do Ministério Público do Trabalho (MPT) afastou a tese de que a entidade estaria “isolada” ou impedida de conduzir a campanha salarial por não integrar uma organização sindical de grau superior.
A paralisação começou em 8 de setembro, após uma campanha marcada por sucessivas rodadas de negociação. Desde então, o cenário se modificou. Os bancários da rede privada aprovaram a Convenção Coletiva de Trabalho negociada com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), enquanto os empregados do Banco do Nordeste aceitaram a proposta específica da instituição. No Maranhão, a greve permanece nos três bancos públicos onde ainda existem pontos sem acordo.
MPT afasta argumento contra atuação do sindicato
O despacho do MPT foi proferido após uma denúncia sigilosa que, conforme o SEEB-MA, questionava a legalidade da greve e a própria atuação do sindicato nas negociações. De acordo com trechos divulgados pela entidade, o argumento de que o SEEB-MA estaria isolado por não integrar uma entidade sindical de grau superior “não encontra amparo jurídico”.
Ainda segundo o sindicato, o Ministério Público registrou que o SEEB-MA apresentou pauta de reivindicações, realizou assembleias, notificou as instituições financeiras, solicitou reuniões e participou de negociações coletivas. A entidade também afirma que o aviso de greve foi feito dentro do prazo e que o MPT não identificou fundamento, na documentação analisada, para considerar a paralisação abusiva ou ilegal.
A manifestação é relevante em uma campanha marcada também por divergências dentro do movimento sindical. O SEEB-MA tem criticado a condução das negociações pela Contraf-CUT e pela Contec e defende maior mobilização nacional. Essas críticas representam a posição do sindicato maranhense e de participantes das assembleias. O despacho do MPT, conforme divulgado, trata da autonomia e da atuação do SEEB-MA, e não constitui uma avaliação sobre a conduta das duas entidades nacionais. Não há, no material encaminhado pelo sindicato, manifestação da Contraf-CUT ou da Contec sobre as críticas.
Campanha passou por sucessivas propostas
Antes da greve, a negociação nacional passou por pelo menos 13 rodadas. Ao longo da campanha, a Fenaban apresentou diferentes propostas. Uma delas previa reajuste de 2,57%, abaixo da inflação. Posteriormente, a oferta chegou à reposição do INPC e avançou para INPC mais 0,6% de ganho real.
Os bancários maranhenses consideraram o avanço insuficiente diante das perdas acumuladas e da situação econômica do setor. O SEEB-MA utiliza como referência um lucro de aproximadamente R$ 182 bilhões obtido pelos bancos em 2025. A pauta inclui, além de reajuste salarial, valorização dos pisos e tíquetes, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), garantia de emprego, saúde, manutenção de direitos e melhores condições de trabalho.
A greve havia sido aprovada inicialmente para começar em 2 de setembro, mas a categoria adiou o início para o dia 8. Segundo o sindicato, a mudança buscou aproximar o movimento de outras bases e evitar que os bancários do Maranhão entrassem isoladamente na paralisação. Desde então, ocorreram mobilizações em São Luís e em cidades do interior, entre elas Imperatriz, Açailândia, Caxias, Bacabal, Santa Inês, Timon, Codó, Pedreiras e Presidente Dutra.
Impasses permanecem no BB, Caixa e BASA
No Banco do Brasil, um dos principais pontos de conflito é o Performa. O SEEB-MA questiona o modelo de gestão e de cobrança por resultados e associa essas políticas ao aumento da pressão e da sobrecarga sobre os empregados. A entidade também chama atenção para adoecimento, redução dos quadros e intensificação das cobranças nos ambientes de trabalho.
Na Caixa, a categoria rejeitou por unanimidade, em assembleia no Maranhão, a nova proposta apresentada durante as negociações. O Saúde Caixa está no centro da divergência. Segundo o sindicato, o modelo proposto cria cobranças relacionadas à faixa etária e aumenta o peso do plano, especialmente para empregados com 59 anos ou mais. O SEEB-MA defende o custeio na proporção de 70% para a Caixa e 30% para os trabalhadores, o fim do teto, isonomia para admitidos após 2018 e preservação da solidariedade e do mutualismo no plano.
No Banco da Amazônia, os trabalhadores cobram valorização da carreira e avanços no Plano de Cargos e Salários. Para o sindicato, a ausência de uma proposta considerada satisfatória mantém o impasse e sustenta a continuidade da greve na instituição.
Greve também expõe problemas além dos salários
Ao longo da paralisação, atos foram realizados na capital e em diferentes municípios do Maranhão. O sindicato mantém ainda assembleias virtuais para repassar informações sobre as negociações, avaliar a adesão e decidir os próximos passos. “As propostas que estão colocadas na mesa não respondem às demandas dos bancários e bancárias nacionalmente”, afirmou o coordenador-geral do SEEB-MA, Rodolfo Cutrim, ao defender a ampliação da mobilização.
A disputa, porém, vai além do índice salarial. Falta de funcionários, sobrecarga, adoecimento e fechamento de agências também aparecem entre as razões apresentadas pelo SEEB-MA para manter a mobilização. Segundo a entidade, a redução da estrutura bancária atinge igualmente a população, ao ampliar filas, demora no atendimento e dificuldades de acesso aos serviços presenciais. Com parte da campanha salarial já encerrada em outros segmentos, BB, Caixa e BASA concentram agora os principais focos da greve no Maranhão.