Assembleia Geral aprova: bancários do Maranhão decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir de 2 de setembro. (imagem: Magnific) Os bancários do Maranhão decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir de 2 de setembro. A paralisação foi aprovada em Assembleia Geral virtual realizada nesta quinta-feira (27), após a categoria rejeitar a nova proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na campanha salarial.
A decisão aumenta a pressão sobre os bancos às vésperas da data-base da categoria, em 1º de setembro. Depois de 12 rodadas de negociação, a Fenaban passou a oferecer a reposição de 100% do INPC para salários e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), sem ganho real. Para o Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA), a proposta continua insuficiente diante das reivindicações dos trabalhadores.
Greve começa em 2 de setembro
No Maranhão, uma nova assembleia será realizada em 1º de setembro, às 18h, desta vez para organizar a paralisação. A greve começa no dia seguinte e, segundo a deliberação da categoria, não terá prazo determinado para terminar.
A mobilização não está restrita ao estado. Também na quinta-feira (27), bancários do estado do Rio Grande do Norte aprovaram greve. O SEEB-MA passou a defender que sindicatos de outras regiões convoquem assembleias e ampliem o movimento nacionalmente.
Nova proposta continua sem ganho real
A proposta atual da Fenaban representa uma mudança em relação às ofertas apresentadas anteriormente. Em uma das rodadas anteriores, os bancos propuseram reajuste de 2,57%, abaixo da inflação, além do congelamento do piso salarial e da PLR. Também chegaram a apresentar reajustes diferenciados por faixas salariais e redução de tíquetes em determinadas cidades do interior e estados.
Depois da pressão dos trabalhadores e da continuidade das negociações, a Fenaban passou a propor 100% do INPC, estimado pelo sindicato em 4,13%, para salários e PLR. Para o vale-alimentação (VA), a proposta é de reajuste de 2,99%. Já para o vale-refeição (VR), o percentual apresentado é de 4,39%.
Embora a nova oferta represente avanço sobre propostas anteriores, o SEEB-MA sustenta que ela mantém perdas porque não prevê aumento real para os salários. A entidade também argumenta que os bancos têm condições econômicas para apresentar uma proposta superior e cita um lucro conjunto de aproximadamente R$ 182 bilhões do setor em 2025.
Reivindicações vão além do salário
A campanha salarial envolve ainda defesa dos postos de trabalho, valorização da PLR e dos tíquetes, manutenção de direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho, melhores condições nas agências e medidas de enfrentamento ao adoecimento relacionado ao trabalho.
“A luta não pode se limitar a índice e PLR. Os bancários exigem reajuste digno, reposição das perdas, defesa do emprego, combate ao adoecimento, melhores condições de trabalho e respostas às pautas específicas dos bancos públicos”, afirmou o coordenador do SEEB-MA, Rodolfo Cutrim, em entrevista ao programa Dedo de Prosa.
Nos bancos públicos, há reivindicações próprias. Trabalhadores do Banco do Brasil cobram o fim do programa Performa. Na Caixa Econômica Federal, defendem o modelo 70/30 de custeio do Saúde Caixa e o fim do teto de 6,5%. No Banco do Nordeste, a categoria reivindica a manutenção da atual regra da PLR. Já no Banco da Amazônia, cobra um Plano de Cargos e Salários que valorize a carreira.
Sindicato cobra mobilização nacional
Além das críticas à proposta dos bancos, o SEEB-MA voltou a questionar a condução da campanha pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Na avaliação do sindicato maranhense, a entidade nacional tem prolongado as mesas de negociação sem construir uma mobilização proporcional ao impasse. A Fenaban e a Contraf-CUT não apresentaram, no material divulgado pelo sindicato, posicionamento sobre essas críticas.
A decisão pela greve ocorre após uma paralisação nacional realizada em 20 de agosto. Segundo o SEEB-MA, quase 100% das agências da Caixa, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia ficaram fechadas naquele dia no Maranhão, além de unidades do Bradesco, Santander e Itaú. Para o sindicato, a adesão mostrou que existe disposição dos bancários para ampliar a pressão.
“Mesmo diante dos boatos sobre corte de ponto e desconto de tíquetes, a categoria não se intimidou. A resposta veio nas agências fechadas, nos piquetes e na adesão expressiva em todo o Maranhão”, afirmou Rodolfo Cutrim. Com a greve agora aprovada, a disputa entra em uma nova etapa: a categoria tenta transformar a mobilização construída no Maranhão e em outras bases em pressão nacional por uma proposta com ganho real e manutenção de direitos.