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Professora relaciona discurso de Mical Damasceno ao avanço da violência contra as mulheres

O enfrentamento à violência contra as mulheres passa pela prevenção, por políticas públicas e pelo combate à cultura machista. (Imegem: ilustrativa Magnific)

A professora maranhense Régina Galeno defendeu que discursos políticos que reforçam a submissão feminina contribuem para a manutenção da violência de gênero e do feminicídio no Brasil. Em entrevista ao programa Dedo de Prosa, ela afirmou que manifestações da deputada estadual Mical Damasceno (PSD) representam um estímulo à cultura machista e motivaram a publicação do artigo “Extrema direita, machismo e a ameaça à vida das mulheres”, divulgado inicialmente no portal Vermelho.

[Veja entrevista na íntegra ao final desta matéria.]

Na entrevista, Régina relacionou o crescimento da extrema direita ao fortalecimento de discursos misóginos e defendeu que representantes eleitos têm responsabilidade política na defesa dos direitos das mulheres. A Agência Tambor publicou o artigo da professora e procurou a deputada Mical Damasceno para comentar as críticas. Até o fechamento desta reportagem, não havia recebido resposta. O espaço permanece aberto para manifestação da parlamentar.

Discurso político e responsabilidade pública

Segundo a professora, a motivação para escrever o artigo surgiu após declarações públicas da deputada sobre o papel das mulheres na família.

Régina argumenta que uma parlamentar não fala apenas em nome de suas convicções pessoais, mas ocupa um espaço institucional de representação da sociedade.

“Uma deputada representa as mulheres trabalhadoras, as mães solo, as mulheres negras, as idosas, as vítimas de feminicídio e suas famílias. O Parlamento deve estar a serviço da defesa dessas pessoas”, afirmou em entrevista ao programa Dedo de Prosa.

Na avaliação da professora, discursos que defendem a submissão feminina reforçam estruturas históricas de desigualdade e legitimam formas de violência contra as mulheres.

“O machismo mata”, resumiu, ao afirmar que a naturalização dessas ideias contribui para um ambiente de maior tolerância ao feminicídio.

Violência de gênero e extrema direita

Durante a entrevista, Régina Galeno sustentou que o avanço de setores da extrema direita amplia a circulação de discursos machistas e autoritários na sociedade.

Segundo ela, esse ambiente político favorece a disseminação da misoginia, da homofobia e de outras formas de discriminação, especialmente nas redes sociais e nos espaços institucionais.

A professora lembrou que o Brasil figura entre os países com maiores índices de feminicídio e afirmou que a violência contra as mulheres não pode ser dissociada das condições econômicas e sociais vividas pela população feminina.

Ela também relacionou a desigualdade de gênero à divisão sexual do trabalho, à sobrecarga com atividades domésticas não remuneradas e à baixa participação das mulheres nos espaços de poder.

Defesa de políticas públicas

Ao longo da entrevista, Régina defendeu que o enfrentamento à violência de gênero depende da ampliação de políticas públicas voltadas às mulheres.

Entre as medidas citadas estão a expansão da rede de creches, o fortalecimento da educação sobre igualdade de gênero nas escolas, a valorização do trabalho feminino e ações que ampliem a participação política das mulheres.

Para ela, governos democráticos possuem papel central na formulação dessas políticas e na proteção dos direitos conquistados pelas mulheres ao longo das últimas décadas.

Silêncio da deputada

Questionada sobre a ausência de resposta da deputada Mical Damasceno às críticas apresentadas no artigo, Régina afirmou interpretar o silêncio como um posicionamento político.

“Esse silenciamento acaba sendo uma resposta muito veemente a tudo isso que nós trazemos no artigo”, disse ao programa Dedo de Prosa. Segundo a professora, a ausência de manifestação estaria relacionada ao alinhamento político da parlamentar com setores da extrema direita.

Mais mulheres na política

Ao encerrar a entrevista, Régina Galeno defendeu o aumento da participação feminina nos espaços de decisão, mas ressaltou que essa representação deve estar comprometida com a defesa dos direitos das mulheres.

Ela argumentou que, embora as mulheres sejam maioria da população brasileira, continuam sub-representadas nos parlamentos e afirmou que a ampliação dessa participação deve estar associada à defesa de políticas públicas de combate ao feminicídio, à desigualdade e à violência de gênero.

“Nós precisamos ter mais mulheres na política, mas mulheres que representem a classe trabalhadora, que sejam contra o feminicídio e lutem por políticas públicas que diminuam a violência contra as mulheres”, concluiu.

[Veja entrevista da professora Régina Galeno ao programa Dedo de Prosa.]

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