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Cinema maranhense ganha espaço nas telas com debate sobre diversidade

A produção maranhense Apollo, longa que aborda a temática LGBTQIAPN+, foi lançado oficialmente na 48ª edição do Festival Guarnicê de Cinema, em agosto do ano passado, sendo premiado em seis categorias. (Imagem: Divulgação)

O cinema produzido no Maranhão tem ampliado seu espaço como ferramenta de debate social e valorização da diversidade. Um dos exemplos é o longa-metragem “Apollo”, obra que aborda a vivência de pessoas LGBTQIAPN+ e que vem acumulando reconhecimento em festivais de cinema da capital maranhense. As reflexões propostas pelo filme seguem atuais mesmo após a recente exibição especial realizada no Cine Sesc, em São Luís.

Lançado oficialmente na 48ª edição do Festival Guarnicê de Cinema, em 2025, “Apollo” conquistou seis prêmios, incluindo melhor ator, melhor atriz, melhor roteiro e melhor trilha sonora original. A produção também recebeu o prêmio de melhor filme pelo júri popular no Festival Reverbere, consolidando-se como uma das obras independentes de maior destaque recente no audiovisual maranhense.

Intertítulo: Homofobia e acolhimento familiar

Escrito, dirigido e protagonizado por Messias Saíssem, o longa acompanha a trajetória de um jovem que enfrenta a rejeição dentro da própria família por conta de sua orientação sexual. A narrativa explora os impactos da homofobia no cotidiano e destaca o papel que o acolhimento ou a rejeição familiar podem exercer na formação da identidade de uma pessoa.

Segundo o diretor, a proposta da obra é tratar a discriminação não apenas como um problema social, mas como uma experiência humana marcada por medos, inseguranças e busca por aceitação. “O filme procura trazer esse olhar do cotidiano das pessoas que fazem parte dessa população LGBTQ, mostrando o que elas enfrentam diariamente”, afirmou em entrevista ao programa Dedo de Prosa.

[Veja a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]

Na trama, a personagem Isabel representa o acolhimento e o apoio ao filho, enquanto Fausto simboliza a rejeição e os conflitos enfrentados por muitas pessoas LGBTQIAPN+ dentro de casa. Para o diretor, a família deveria ser o principal espaço de proteção, mas frequentemente acaba sendo um dos primeiros ambientes de discriminação.

Intertítulo: Reflexão além das telas

Messias Saíssem avalia que o cinema pode contribuir para transformar percepções e estimular reflexões sobre comportamentos muitas vezes naturalizados pela sociedade. De acordo com ele, a homofobia não se manifesta apenas por meio de agressões explícitas, mas também em comentários, cobranças e atitudes aparentemente inofensivas que podem causar sofrimento e exclusão.

“O filme busca trazer essa reflexão para que as pessoas parem e pensem sobre frases ou atitudes que podem ter machucado alguém sem que elas percebessem”, disse ao programa.

Além da temática LGBTQIAPN+, a produção também aborda questões relacionadas à leucemia, ampliando o debate sobre vulnerabilidades, preconceitos e desafios enfrentados por diferentes grupos sociais.

Intertítulo: Desafios do audiovisual independente

Outro aspecto destacado pelo diretor é a dificuldade de produzir cinema independente no Maranhão. Segundo ele, o principal obstáculo enfrentado durante a realização de “Apollo” foi a limitação orçamentária. O projeto contou com recursos da Lei Paulo Gustavo e com apoio de colaboradores para viabilizar as gravações.

“A gente teve que tirar leite de pedra para conseguir realizar o filme”, relatou. Conforme explicou, o roteiro foi escrito em 2018 e passou por diversos processos de amadurecimento até se transformar no longa exibido atualmente.

Para além dos prêmios conquistados, o percurso de “Apollo” evidencia a força da produção audiovisual maranhense e o potencial do cinema como instrumento de diálogo sobre direitos, respeito às diferenças e inclusão. Em um contexto em que casos de discriminação contra a população LGBTQIAPN+ ainda persistem no país, obras como essa contribuem para ampliar a visibilidade de experiências frequentemente silenciadas e fortalecer debates de interesse público.

[Veja a entrevista de Messias Saíssem, ator, roteirista e diretor ao programa Dedo de Prosa.]

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