Rodolfo Cutrim: “sempre que os trabalhadores quiseram algum direito, tiveram que conquistar na base da mobilização”. Acervo: SPbancários – 100 anos No Dia do Bancário, comemorado em 28 de agosto, o coordenador-geral do Sindicato dos Bancários do Maranhão, Rodolfo Cutrim, destacou os principais desafios da categoria diante do fechamento de agências, da precarização do trabalho e da ameaça de privatização dos bancos públicos.
Em entrevista à Agência Tambor, no programa Dedo de Prosa, Cutrim relembrou que a data tem origem em uma greve histórica de 1951, quando a categoria paralisou as atividades por 69 dias. “Esse é o DNA da nossa luta: sempre que os trabalhadores quiseram algum direito, tiveram que conquistar na base da mobilização”, afirmou.
[Veja a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]
O sindicalista frisou que conquistas importantes, como a jornada de seis horas e o acesso à previdência social, nasceram da resistência dos bancários desde a década de 1930. “É uma história de coragem e de avanços que influenciaram toda a classe trabalhadora brasileira”, disse.
Entre os desafios atuais, o dirigente chamou atenção para o processo acelerado de fechamento de agências do Bradesco no Maranhão. Muitas cidades, segundo ele, ficam sem nenhum banco em funcionamento, o que impacta diretamente a economia local. “Estamos falando de idosos e aposentados que precisam se deslocar quilômetros para sacar seu benefício”, denunciou.

Outro ponto levantado por Cutrim foi a falta de concursos públicos em instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Para ele, a ausência de novos trabalhadores sobrecarrega quem permanece nas agências e amplia os casos de adoecimento. “Hoje, somos uma das categorias com maior número de afastamentos por doenças relacionadas à saúde mental”, alertou.
O sindicalista também criticou a terceirização e a chamada “uberização” do trabalho bancário, com empresas contratando ex-bancários ou correspondentes para funções típicas da categoria. “Você entra em uma agência e vê pessoas fazendo serviços bancários sem vínculo algum com o banco. Isso retira direitos e agrava a precarização”, explicou.
Apesar das dificuldades, o coordenador destacou vitórias recentes do sindicato, como a redução da jornada para pais e mães de crianças autistas e ações judiciais que resultaram em indenizações para trabalhadores. “São conquistas que reforçam a importância de um sindicato atuante e classista”, avaliou.
Cutrim também ressaltou que a luta dos bancários ultrapassa os limites da categoria. “Se nós avançamos, mas a classe trabalhadora não avança junto, essas vitórias não se sustentam. Por isso, atuamos em unidade com outras categorias e movimentos sociais”, afirmou.
Em 2025, a principal bandeira do Sindicato dos Bancários do Maranhão é resistir ao fechamento de agências e defender os bancos públicos. “O Banco do Brasil, a Caixa, o Banco da Amazônia e o Banco do Nordeste têm papel fundamental no desenvolvimento do país. Precisam permanecer públicos e comprometidos com a sociedade, não apenas com os acionistas”, concluiu.
Assista a entrevista completa com Rodolfo Cutrim no programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.