
A Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, reconheceu o direito à propriedade das terras quilombolas. O Estado deve emitir títulos aos remanescentes dessas comunidades que já ocupam as terras.
Essa conquista passou por uma iniciativa do Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN). A informação foi dada por Noleto Chaves, em entrevista concedida à Agência Tambor, na quinta-feira (10/04).
Historiador e economista, Luiz Carlos Noleto Chaves apresentou, no final do mês de março, o resultado de uma pesquisa que realizou sobre a história do CCN, em seus cinco primeiros anos, entre 1979 e 1984. Trata-se de uma dissertação de mestrado, feita na Universidade Federal do Maranhão, que poderá resultar em um livro.
(Veja, ao final deste texto, a íntegra da entrevista com Noleto)
A entrevista com Noleto começou com ele falando sobre a importância do curso Interdisciplinar em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, que ele fez na Universidade Federal do Maranhão e que foi determinante para que ele seguisse no mestrado.
A pesquisa aborda, entre outros aspectos, o processo de luta do movimento negro, a base política e ideológica do Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN) e, também, a atuação pedagógica e cultural da organização — que tem reconhecimento nacional pela promoção da identidade étnico-racial e pelo fomento de políticas públicas para a população negra.
Para o historiador, autor da pesquisa recentemente publicada, o CCN tornou-se uma referência nacional “não somente pela sua organização política, mas também pela priorização na busca pelo estudo”.
Durante a entrevista, Noleto falou de figuras fundamentais do Movimento Negro, que têm sua história ligada ao CCN, como Isidoro Cruz Neto, Mundinha Araújo, Luiz Alves Ferreira (Luizão), Magno Cruz e Silvia Black. O pesquisador também mencionou o papel do músico Gilberto Gil, que esteve em São Luís e participou de uma reunião com os fundadores do CCN, levado pelo jornalista Neiva Moreira.

Na conversa com a Agência Tambor, também foi citado o Akomabu, referência no carnaval e o primeiro bloco afro do Maranhão, criado pelo Centro, que abriu caminho para o surgimento de outros blocos afros no Estado.

“A ideia é transformar depois a dissertação em um livro, acrescentando informações. O texto já foi distribuído para vários militantes, para que o trabalho não fique somente na academia, mas sim acessível à sociedade”, explicou o historiador.
(Confira abaixo a entrevista completa de Noleto)